Outro dia chegou a minha mesa um daqueles jobs pentelho que está há meses na pauta, passou pela mão de Deus e o mundo e precisa ser solucionado em 48 horas.
Por questão de hábito e perfil de trabalho, começo a pensar em como solucionar o problema de maneira diferente e inovadora utilizando-se de ferramentas que estão na crista da onda e foi pouco ou nunca explorada pelo meu cliente.
- Será que não cabe uma ação de CGC aqui?
- Que que tal fazermos um ARG apoiado por um hotsite promocional?
- Não, acho que o mais eficaz mesmo é fazermos uma ação de relacionamento com esse target nas redes sociais.
- E se fizéssemos uma ação de cross media web/mobile?
Depois de muito brainstorm, chega-se a uma conclusão: a solução para esse job está na propaganda. VT de 30 segundos e jingle com o mesmo tempo em horário nobre.
Moral da história
1. Cuidado com essas estratégias de marketing mirabolantes e dukralho que surgem diariamente. É bom apreciar com moderação porque elas estão aí para somar e não para substituir.
2. Se você fica grilado porque só faz anúncio de jornal e seu amigo que está trabalhando em Sampa emplacou um baita case de guerrilha, lembre-se que o que realmente importa é o ROI do seu cliente. E isso não vai mudar, queira você ou não.
3. As vezes é preferível o feijão com arroz. Seja esperto e saiba discernir a hora de cada prato. ;P
Estava no Brain9 e me deparei com um vídeo criado pela agência alemã Scholz & Friends que conta de maneira dinâmica e objetiva a história do marketing.
É notável que os problemas de marketing mudaram substancialmente. No início o grande desafio das marcas era vender. Vender no seu sentido mais simplista mesmo. Disponibilizava-se o produto ao mercado e rezava trabalhava para o danado cair no gosto da clientela.
Hoje, os problemas são diversos. Perde-se share e awareness por: posicionamento não definido, preço inadequado ou mal percebido, distribuição mal feita, comunicação destoante com as necessidades e expectativas do target, produto inadequado, entre outros.
Soluções
Como elas mudaram. Segundo o próprio vídeo fala bastava-se veicular um comercial em horário nobre que até sonhar com a nossa marca o neguinho sonhava. E eu não duvido não. As pessoas tinham um hábito de vida muito previsível. Era fácil falar com os caras já que, intuitivamente (leia-se sem pesquisas), era sabido como esses clientes consumiam mídia. Sem contar que a mensagem era de mão única: a marca falava, o consumidor escutava e comprava. Pronto. Resolvido o problema.
Hoje, assim como os problemas, as soluções também tornaram-se mais complexas. Aquele consumidor previsível de hábitos simples não existe mais. Está cada vez mais difícil encontrar o cliente e conseguir ser relevante dentro do universo individual de cada um. E cá pra nós: esse é o grande tesão da nossa profissão. Fórmulas e receitas inexistem. E cada job é um novo desafio. Uma nova história. Quer saber? Prefiro mil vezes viver nessa loucura de hoje.
Eu tinha uns 13 para uns 14 anos e meu objetivo de vida era tornar-se um excelente jogador de futebol. Investi na idéia por anos, até meus 17 para ser mais preciso.
Nesse período tudo que eu fazia direta ou indiretamente tinha relação com o futebol. Das minhas leituras ao pomposo Nike que me acompanhava em todos os eventos. Meu Nike mais uma meia soquete era mais do que um calçado confortável e bonito, aquele “kit” me fazia viver a experiência de ser um jogador de futebol, eu não estava nem aí para o impacto 1000 vezes menor que o tennis iria causar em meus joelhos, eu usava-o simplesmente porque aquele Nike me fazia sentir parte de um grupo, o dos jogadores de futebol. Ainda nesse período, lembro claramente da minha percepção em relação a marca e os produtos Allstars: negócio de hippie, músico, artista, homosexual, revolucionário. Características bem diferentes das minhas nos anos em que eu sonhava em ser jogador de futebol. Poderia afirmar com segurança que dificilmente um dia eu usaria um produto da marca Allstar. A personaliadade daquela marca não tinha nada a ver com a minha. O oposto da marca Nike.
Mas os anos se passaram e ao invés de jogador de futebol me tornei publicitário (kkkkkk). E com isso os conceitos também mudaram. Nike? Não rola mais. Primeiro, porque os tennis são excessivamente caros, segundo porque tecnicamente falando não pratico nenhum esporte que necessite de um tennis top, e terceiro porque no meu convívio social a Nike é só mais uma marca americana. O Allstar? Ahh o Allstar. De produto destinado a loucos revolucionários e uma galera que não tem muito o que fazer passou, em minha mente, a produto destinado a descolados, modernos e inteligentes. Usar um Allstar, hoje, é cool. E por uma “pequena coincidência”, 90% das pessoas que convivem comigo em meu trabalho arrastam um Allstar nos pés.
Ou seja: a necessidade de nos sentirmos parte de um grupo às vezes é mais forte do que nossa própria personalidade. Pense nisso na próxima vez que tentar mudar o comportamento de algum consumidor.
A campanha de Barack Obama dispensa comentários. Todos têm conhecimento sobre as diversas ações pertinentes e diferenciadas executadas em prol do democrata. E para encher a bola ainda mais dos executivos que estão por trás de Obama, trago aqui mais duas ações recentes que estão sendo desenvolvidas com o objetivo de eleger o candidato.
Aplicativo no Iphone
Aproveitando-se de toda popularidade e adesão do Iphone, a equipe Obama desenvolveu um aplicativo para o aparelhinho onde a usuário é atualizado por notícias, agenda do candidato, propostas, etc.
Como eu venho falando por aqui, os vídeos online estão em amplo crescimento. É bem verdade que ainda não existe ” o case ” que mostre seu retorno expressivo de fato. Porém, desde que Steve Chen e Crad Hurley criaram o Youtube há três anos, já foi investido mais de US$ 8 bilhões nas empresas de vídeo online, de acordo com os dados da Dow Jones Venture Source. O fato é que esses investimentos reafirmam as apostas em infra-estrutura , plataformas de anúncios e sites voltados para categorias de consumo ( Joost, FunnyOrdie, entre outros).
O vídeo online ainda está na infância: há quatro anos sequer o Youtube existia. Agora, 119 milhões de norte-americanos já assistem a vídeos pela internet, e , neste ano, a publicidade total nos sites de vídeo deve superar o patamar de US$ 1,35 bilhão nos EUA.
No outro lado da moeda, está a TV tradicional, que neste ano vai receber US$ 17 bilhões em publicidade nos EUA. Para muitos analistas e publicitários como eu, será questão de poucos anos até que o vídeo online conquiste uma fatia cada vez maior desse bolo.
Bem verdade que aqui no Brasil isso só deverá ser percebido daqui há muitos anos ou até mais de uma década, mas me sinto bem em dizer que o caminho é este, afinal o iPhone está chegando, por enquanto, para poucos.
Os dados e alguma parte do texto foi retirado da revista Meio Digital -Setembro - Outubro 2008.
Está correndo na rede um viral da DRAFTFCB do México que tem por objetivo estimular as agências de marketing a economizarem papel e por consequência degradarem menos o meio ambiente. Menos papel, mais idéia. Esse é o recado.
Muitas vezes me pergunto por que decidir ingressar na carreira de publicitário. Tudo bem tem todo aquele papo de jovem imaturo que em um piscar de olhos deve escolher a profissão que vai exercer nos próximos anos e blá, blá, blá, blá. Mas por que continuar se acho que nossa atividade /mercado é altamente desvalorizado? Acho que é por pura safadeza. Porque, de uma maneira geral, tenho consciência que somos mal percebidos pra porra: publicitário é o cara que “tira” o dinheiro do cliente. É daquele tipo divertido e que fala diferente (“temos que alavancar o brand equity”), mas é descomprometido com resultados ($ /números). Profissionais que têm pouca importância no cenário executivo: “ah é o pessoal da propaganda? Pede pra esperar mais um pouquinho”, etc, etc, etc, etc.
Nas minhas andanças pela internet, encontrei um artigo que explica um pouco o motivo pelo qual chegamos ao estágio atual – o estágio que faz um profissional de apenas 07 anos no mercado pensar o que eu penso. Mas diante de toda insatisfação posso afirmar com confiança: publicidade será minha profissão sempre, mas não o meu negócio. É para isso que trabalho.
O churrasco sem carne - por Eduardo Visinoni
Existe um filha-de-uma-puta entre nós.
Bem, na verdade, existem vários. Mas esse é “o cara”. Esse é “o cão”. Esse fodeu todo mundo. Eu, você, seu cliente e, com todo respeito, até sua santa mãe. Todos se fodem na mão desse cara. O que ele fez? Esse filha-de-uma-puta serviu o churrasco sem carne.
Explico-me: há muito tempo um grande mestre cuca, bom e sábio inventou o churrasco com carne. Para tanto ele estipulou que em essência para ser churrasco devia haver brasa, espeto, tempo e a carne. Leia o texto completo e comente
Bom, estou voltando de um longo período sem postar aqui no Ideavertising para falar de relevância com o target citando a disputa pela prefeitura do Recife e comentando um fato que ocorreu comigo no final de semana.
Estava no carro com um grupo de amigos e com o rádio sintonizado na Jovem Pan. Em um intervalo da programação escutamos um jingle de um candidato a prefeito que era um Rap, meio Funk, não sei… Promessas eram faladas em formato de rimas na voz característica de um rapper, e um refrão chiclete repetia o nome do candidato algumas vezes durante o curto tempo. Até que alguém comentou:
- Oxe. Que estranho, um rap.
Logo em seguida escutamos um spot de um outro candidato. Formato clássico com marca sonora, promessas faladas pelo candidato e assinatura com slogan de campanha fechando os 30’. Não ouvi nenhum comentário. Aí perguntei:
- Esse é o jeito que os políticos devem falar com quem escuta a Jovem Pan?
- É, passa mais seriedade - alguém respondeu.
- Então me diz uma das promessas dele.
Silêncio…
- Ou só o nome e o número do cara – resolvi facilitar o questionamento.
Ninguém soube responder, mas todos tinham na ponta da língua as informações do candidato do rap. Leia o texto completo e comente
Com o boom da internet e o surgimento de ferramentas gratuitas com alto poder de disseminação, ficou muito mais fácil um consumidor lesado falar pra todo mundo que tal marca ou produto lhe desrespeitou. Eu até já fiz um post sobre isso. Éfato: as empresas estão nuas e quem não tratar o cliente com respeito e dignidade está sujeito a uma exposição negativa incauculável.
Pois bem, baseando-se em um erro do jogo Tiger Wood da EA Sports, um usuário fez um vídeo ridicularizando o “bug” e jogou na internet. O vídeo rodou um bocado e foi visto mais de 330 mil vezes. Ponto negativo para EA Sports. Veja o vídeo.
O que eu não esperava era uma resposta a altura da EA. Já vi empresas desejando pagar para o “insatisfeito” tirar o vídeo, blog, site, do ar. Vi empresas interessadas em ressarcir (com juros e correções monetárias) o cliente, mas ainda não tinha visto uma resposta dessas. Veja e ponha nos comentários o que você achou da atitude da EA.
Atualizado por um grupo de publicitários e cool hunters, o Ideavertising tem como objetivo discutir comunicação, marketing e empreendedorismo. Com foco nas tendências de mercado e práticas modernas, aqui você encontra idéias e conceitos que vão além do convencional.