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“A TV está perdendo a soberania no Brasil”

Publicado por Danilo França na categoria Marketing, Propaganda em 07.02.2009

A fartura de audiência deixou há tempos de ser rotina na televisão brasileira. Havia épocas em que grande parte do país se reunia em frente à TV de forma fiel e garantia a felicidade das emissoras, que esbanjavam pontos no Ibope. Mas isso foi moda idos da década de 80, um tempo em que o consumo de mídia era basicamente restrito à TV, rádio e impressos.

Certa vez, por exemplo, a líder TV Globo conseguiu o feito de marcar 90% de audiência do país, sendo que todos esses televisores estavam “presos” no último capítulo de uma mesma novela: “Roque Santeiro”. Porém, a evolução foi implacável e a chegada da internet com seus aparatos tecnológicos, aliada a opções como a TV paga, tratou de minimizar a soberania deste meio tradicional e começar a repartir o bolo da audiência. É chegada, portanto, uma nova era de consumo de mídia.

Uma das provas mais recentes deste novo cenário foi confirmada por dados do Ibope, publicados esta semana no Adnews. O índice de TVs desligadas bateu recorde na Grande São Paulo no fim do mês de janeiro. No horário considerado nobre (18h às 24h), apenas 48% dos aparelhos permaneceram ligados, de acordo com dados referentes ao último sábado (31/01). Na semana anterior a esta data, o índice era de 54%.

“Graças a Deus os tempos são outros”

Em meio às mudanças, nem mesmo novela das oito se safou. O mesmo produto que fisgava o país em frente à telinha despencou com o passar dos anos e atingiu o patamar dos 20 pontos no Ibope. “Caminho das Índias”, a atual trama da emissora global, chegou a marcar 27 pontos recentemente e não representa uma exceção à regra. Apenas segue o curso constante de queda das novelas, num processo que alerta para o desgaste de um modelo que sofre concorrência.

“Graças a Deus os tempos são outros e acabou a época em que 80 milhões de pessoas assistiam à mesma coisa. Isso é esquizofrenia aguda”, diz Nelson Hoineff, jornalista e diretor do Instituto de Estudos de Televisão em menção ao antigo sucesso das novelas da Globo. Para ele, é uma “aberração” imaginar que grande parte de um país tão plural consuma exatamente a mesma dose de conteúdo cultural. Baseado neste contexto, ele decreta: “ a TV está perdendo cada vez mais a soberania no Brasil. E isso é ótimo para o país”.

O especialista atribui o novo momento à “possibilidade escolha”, vinda da multiplicação de acesso à informação. Ele conta que houve situações históricas nas quais a telenovela servia como um meio de inclusão digital. “Na década de 80, a novela era um dos principais meios de inclusão era assistir à novela, pois a informação girava em torno disso”, afirma. Hoje em dia, entretanto, “o veículo não ‘domestifica’ mais o telespectador”, de acordo com o especialista.

Mas a queda não foi brusca. Hoineff destaca que o atual rito de passagem se concretizou após a estabilização da internet, TV paga e novas possibilidades que ajudaram a desgastar o modelo. Ele ressalta que o problema é do meio e não de um ou outro canal de TV específico. Em citação à atual trama da Globo, “Caminho das Índias”, ele diz que o problema não é com o conteúdo, mas sim com o formato. “Vivemos numa sociedade multifacetada que não quer sempre a mesma coisa. As novas tecnologias oferecem as possibilidades de conhecer novas opções”.

Tendência

Mobilidade e divisão são palavras-chave com as quais Hoineff prevê o cenário para os próximos anos. Assim como o rádio e telefone, a tendência para a televisão é se aproveitar da mobilidade, movimento que ainda engatinha no Brasil.

Na visão do publicitário Ângelo Franzão, vice-chairman do grupo de agências McCann, os próximos anos serão definidos pela qualidade de produção e segmentação. “O avanço de novos canais, a entrada de novos players, a introdução de devices que antes não participavam do mercado farão com que o consumo seja mais dividido. Mesmo assim, entendo que, quem comanda essa relação é a qualidade.”

Diante da concorrência, Franzão diz que o sucesso dependerá da aproximação com o consumidor da informação. “Ganhará quem estiver mais próximo do espectador, entregando tudo aquilo que ele aspira em nível de informação, entretenimento, qualidade de produção, credibilidade, etc.”

texto retirado na íntegra do adnews.com

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4 comentários

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  1. Beeeeeeeeeeeelo texto Danilo.

    E é graças ao Barbudinho mesmo que a soberania está acabando.

    E nosso papel nessa luta é levar a informação para o espectador. E como fazemos isso ? Internet.

    abs
    Raul T.
    —————————–
    http://www.soluttia.com.br

  2. Eu ainda acho o título muito radical levando-se em conta que a TV ainda será a grande responsável pela maior parte do bolo publicitário durante anos.

  3. ElWQUB davgvooeoihn, [url=http://iqbygpleroas.com/]iqbygpleroas[/url], [link=http://kuyexjgeiofn.com/]kuyexjgeiofn[/link], http://hxfhrtbiswau.com/

  4. lian(Ubirajara)

    Por mais que haja um retardo na evolução intelectual,ela caminha de maneira lenta ,agonizante .Não é possível deter o crescimento espirutual e nem cientifíco da espécie humaa que se renova como as olhas do outono..A mídia capitalista tem sentenciado o povo a miséria intelectual e econômica,muitos sucumbiram,mas nem todos perecerão.As coisas entre os homens acomodam-se como as camadas da terra.É necessário abalos para a correção da sociedade e do plâneta.A Terra é muito nova,apesar das rugas no solo árido que priva de água o trabalhador,pelo descaso do poder.

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Sobre o autor

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Publicitário formado pela Universidade Católica, que atua no departamento de mídia da Morya e , sempre que possível, tenta inserir a Internet no planejamento de mídia dos clientes. Desenvolveu sua monografia de conclusão de curso com o tema: "Vídeo sob demanda: A revolução digital no consumo de mídia", e obteve várias descobertas na sua pesquisa que pretende compartilhar por aqui.

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