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Crie um novo modelo de negócio e não um negócio modelo.

Publicado por Leonardo Parnes na categoria Diversos, Mercado em 09.04.2008

Há umas semanas atrás eu assisti a uma palestra de Élvio Sanchez, diretor de criação da Lola Madrid. O título da palestra era algo como “Erre. Erre outra vez, mas erre melhor”. Hoje eu estava lendo um comentarista do bluebus falando sobre Louise Wilson, diretora do curso de mestrado da Central Saint Martins College of Arts and Design, que disse “É errado está certo” Isso me fez refletir um pouco e juntar as peças. Há duas semanas mais ou menos, li no Coxacreme o post do Roberto Cavallini, e os comentários de gente muito bem colocada no mercado paulista, sobre os modelos de integração entre digital e tradicional.

Concordo com tudo o que li e, principalmente, concordo que é mais fácil fazer um discurso que usar isso na prática. Mas porque o discurso é necessário? Simples, grandes agências vedem discursos, vedem argumentos, e faz um tempo já que deixaram de vender simplesmente publicidade. Grandes agências (não só em estrutura, mas também em talento) vendem uma grife. Ou vocês acham que o trabalho que faz Santa Clara, a Almap não tem condições de fazer? É claro que tem, mas o cliente que procura a Santa Clara procura uma grife, e se você quer um vestido básico, não vai a uma loja super moderninha e descolada. E se você já vai a uma loja super moderninha e descolada é óbvio que você não quer algo básico.

O problema é que quando o discurso vira default, estilo: “Temos que integrar on e off line”, ou “fazemos só o que o cliente precisa”, ou mesmo “os modelos de cobrança atuais estagnaram a criatividade brasileira”, esse discurso não serve mais e as grifes tem que buscar outros. Só que isso tem ido rápido de mais, os discursos tem se esgotado e as agências não tiraram isso do papel (salve algumas). Isso aconteceu na moda, continua acontecendo, mas eles podem usar e abusar do retrô, nós, não.

Por isso digo, se me fosse encomendada hoje uma pesquisa de tendências com relação aos modelos de agências, eu diria sem sombra de dúvida: cria um novo modelo de negócio e não um negócio modelo. Crie um negócio com atitude. Crie um negócio honesto com seus funcionários e com seus clientes. Crie um negócio em que, as poucas noites que você dormir, consiga dormir tranqüilo. Não utopia, muito menos por ser bonzinho ou ingênuo, mas porque parece que isso é o próximo discurso a entrar na moda.

PS: Experimentar é estar dispostos a errar. Grandes trabalhos saem da experimenação. Os filmes argentinos que já mostrei por aqui, não são nada além de experimentação no sentido mais honesto da palavra.

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Nunca teve um espírito aventureiro, mas na primeira oportunidade de estudar em Barcelona não pensou duas vezes, largando um início de carreira de redator em PE. Faz pós-graduação em Pesquisa Qualitativa de Tendências (mais conhecido como Cool Hunter).

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