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Relevância com target é fundamental

Publicado por Gilson Pessoa na categoria Comportamento, Diversos, Propaganda em 25.08.2008

Bom, estou voltando de um longo período sem postar aqui no Ideavertising para falar de relevância com o target citando a disputa pela prefeitura do Recife e comentando um fato que ocorreu comigo no final de semana.

Estava no carro com um grupo de amigos e com o rádio sintonizado na Jovem Pan. Em um intervalo da programação escutamos um jingle de um candidato a prefeito que era um Rap, meio Funk, não sei… Promessas eram faladas em formato de rimas na voz característica de um rapper, e um refrão chiclete repetia o nome do candidato algumas vezes durante o curto tempo. Até que alguém comentou:

- Oxe. Que estranho, um rap.

Logo em seguida escutamos um spot de um outro candidato. Formato clássico com marca sonora, promessas faladas pelo candidato e assinatura com slogan de campanha fechando os 30’. Não ouvi nenhum comentário. Aí perguntei:

- Esse é o jeito que os políticos devem falar com quem escuta a Jovem Pan?
- É, passa mais seriedade - alguém respondeu.
- Então me diz uma das promessas dele.
Silêncio…
- Ou só o nome e o número do cara – resolvi facilitar o questionamento.
Ninguém soube responder, mas todos tinham na ponta da língua as informações do candidato do rap.

As perguntas não foram ensaiadas, apenas externei uma reflexão que fiz a mim mesmo naquele momento. Com esse fato pude comprovar a importância da relevância das peças de comunicação com o público dos meios escolhidos. Na Jovem não costuma tocar rap, mas é um ritmo jovem, como sua audiência. Depois ouvi na CBN esse mesmo candidato do rap com uma outra peça no formato clássico mesmo. O fato é que na Jovem Pan o candidato do rap estava conseguindo romper a caretice das campanhas e ganhando a atenção da audiência. Se vão acreditar nas propostas do cara é outra história. O fato é, num país onde participar do pleito é obrigatório os mais desatentos podem votar no cara simplesmente por que é o único que lembram o número :)

Na hora lembrei do fenômeno Obama, que conseguiu virar o jogo na disputa contra a Hilary para ser o candidato democrata nas eleições americanas. O cara está em todos os canais de comunicação de forma relevante ganhando empatia do eleitorado e gerando mídia espontânea para sua campanha, comentei um fato aqui. Os exemplos são inúmeros, e vale um post específico qualquer dia desses.

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3 comentários

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  1. Grande Gilson, bom encontrar você por aqui novamente. Ainda mais com posts “práticos” como esse.

    Eu também ouvi o jingle (rap) e tive uma reação bem parecida com a do seu amigo: um rap!!!! Noooossa…

    Pra falar a verdade eu nem me lembro se o rádio estava sintonizado na Jovem Pan ou não, mas o fato é que eu achei a peça bizarra. Explico: primeiro porque você não está acostumado a escutar um jingle de político no ritmo RAP (pelo pioneirismmo, ponto positivo) e segundo que a peça - em minha opinião - estava mal executada. Avaliação geral: não gostei.

    Falando um pouquinho do título do seu post, acho que você está certíssimo quando fala: relevância com o target é fundamental. Mas na minha avaliação existe outra coisa que é tão fundamental quanto: relevância com o PRODUTO. O produto candidato a prefeito não tem adequação e relevância nenhuma com o conceito RAP. Quando você fala em RAP lembra de conceitos (posso até está sendo preconceituoso, mas minhas referências me remetem a isso) que passam longe de educação, saúde, emprego e segurança, por exemplo.

    Agora, que a peça é um chicletinho e até agora está presente em minha mente…isso sim. Só não sei se isso é bom ou ruim. ;-)

  2. Opa Thiago, concordo com você quando a execução da peça, poderia ser bem melhor. Mas quando a relevância do RAP com política discordo.

    Não tem nada mais político do que as letras do legítimo rap. Veja um trecho da definição do wikipedia para Rap: “Inicialmente, os temas das letras giravam em torno de assuntos como festa e diversão, que aos poucos foram substituídos por outros temas como as desigualdades sociais e o combate ao racismo.” Aqui no Brasil não foi diferente. O rap é a voz da periferia, que se tornou pop no final dos anos 90 com Gabriel O Pensador, e mais ainda quando Marcelo D2 uniu rap e o samba. D2 explora mais o lance da melodia, mas as letras de Gabriel O Pensador as letras eram pura crítica social em forma sarcástica e com uma pontinha de humor.

    Mas não podemos esquecer do movimento extremamente forte da periferia de São Paulo. Apesar do Racionais MC ser o mais conhecido, temos muitos outros grupos com letras recheadas de críticas sociais, que vão de abusos da policia, desigualdade social e racismo. Aqui tem um texto: http://www.suapesquisa.com/rap/
    Depois que escrevi o post fui dar uma olhada nos sites dos candidatos e percebi que é apenas um que está com Rap. Veja:
    FUNK do RAUL http://www.raul15.can.br/2008/audio.php
    Funk MC Leozinho do Recife: http://mendonca25.can.br/?page_id=17

    E também existem outros ritmos por lá.

    Faz um tempo que fiz um trabalho pra faculdade sobre Hip Hop, eu fui conhecer um movimento bastante engajado daqui de Recife, o Coletivo Êxito d’Rua . Lá os caras levam o posicionamento político do rap muito a sério, além de ter um papel social importante. Muitos dos membros saíram da “marginalidade” quando se engajaram no grupo, e utilizam dessa arte para resgatar muitos outros. Além de denunciar os motivos que os fizeram enveredar pelo caminho errado.

    Mas continuo concordando com você quanto a produção das peças, seria legal um acabamento melhor :)

    Abraço.

  3. É verdade, Gilson. Quando comentei nem lembrei de letras como a dos Racionais, D2, Gabriel e movimentos que acontecem nas periferias em prol do rap, grafiti, skate, etc.

    Vai ver que é porque as minhas referências quanto a esse ritmo são outras: Akon, Eminen, 50 cent…uma parada mais americana mesmo que é esteriotipada como os caras do correntão, que anda em carros esportivos de milhares de dólares e adoram uma orgia. Vide: Vide: http://br.youtube.com/watch?v=fbM9EP2G0LM

    E isso é uma percepção totalmente visual, também, até porque nunca parei para ouvir as letras dos caras.

    O grande ruído da minha interpretação do seu post foi essa. Mas olhando o seu comment, consigo até enxergar a estratégia dos caras ao produzir um jingle em forma de rap: aproximar-se da periferia. Conseguir votos da galera que vive em favelas, em morros, etc.

    Mais uma vez a prática nos ensinando a ohar com os olhos do consumidor. Temos essa mania de acreditar que as coisas são da forma que nós vemos.

    Valeu. :-)

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Sobre o autor

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Com 25 anos, tem formação técnica em artes gráficas pela ETEPAM (PE), em Desenvolvimento de Sistemas pelo Unibratec (PE) e está cursando graduação em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Maurício de Nassau. Sua experiência no mercado de comunicação é de 8 anos..

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